terça-feira, 21 de agosto de 2012
Não queira ser lago para as minhas águas. É o movimento que te encanta, é a espera por pausas (ou pousos?) que te prende, é o ruído que ainda te mantem atento. Se tranquila eu fosse, seu olhar nunca teria se detido no meu. Ou, melhor dizendo, se seu olhar nunca tivesse se detido no meu, e ido além da minha aparência calma (e doce?), você nunca teria visto a correnteza que traga não a quem me fita, mas a mim mesma, o tempo todo. E você, como um cavaleiro andante em um tempo que já não é, como o homem que me protege de pingos de chuva (é só a minha substância, sob outra forma, eu lhe diria hoje), você quer me tirar da minha agitação na ilusão de que me salva? Por amor ou vaidade quer que eu encontre a serenidade ao seu lado? Amor ou vaidade, pouco importa. Você sabe que tão logo eu virasse água parada, represada, tudo o que carrego decantaria, formando um fundo escuro e lodoso. Água limpa, porém escura? Água em paz, mas sem luz? Não queira ser lago para nenhuma água, meu amigo. Só seja você, e me permita continuar buscando saber quem sou.
Assinar:
Comentários (Atom)