sábado, 17 de dezembro de 2011
Não, eu não sei o que fazer disso. Se calo ou grito. Se nutro ou mato. Ele me disse para não criar expectativas, e eu respondi que não sei viver sem elas. Falávamos de outra coisa, não de nós. Ou não. É nas entrelinhas que nossas palavras se cruzam. Como quando ele disse que as respostas não são o mais importante, mas as perguntas. E eu respondi que a partir das respostas nascem novas perguntas. Ou não, o que perde a graça. E ele se arrependeu tanto no momento em que perguntou "o que você está pensando?', que eu quase ri ao constatar o medo da resposta. Não, eu ri. E para manter seus dedos entrelaçados nos meus, eu não disse. Ou disse, nas entrelinhas, citando Leminski. E é fitando seus olhos em silêncio que eu digo, e ele responde com um beijo de olhos fechados. Esse diálogo se repete continuadamente e, ao final, eu já nem sei do que falávamos. Eu queria ter dito: quando estou com você eu não penso e eu gosto. E não é um não pensar de perder os sentidos ou a razão. Eu simplesmente não convoco as palavras e me deixo ser e sentir sem o auxílio delas. Ele entenderia, eu acho. Ou não. Tanto faz? Anoitece e nos despedimos. Até o próximo ano, ou antes, se o antes vier antecipando meu sorriso mais feliz.
domingo, 4 de dezembro de 2011
Eu tinha acabado de desligar o telefone. Antes tivessemos continuado a conversar, pela noite adentro. Eu ali, um pouco distante das pessoas para poder ouvi-lo. Ou, talvez, eu não devesse ter insistido nessa idéia tola de sair sozinha com meus pensamentos.
Não tem jeito. Eu fui. E como se todas as verdades que me surgiram essa semana não bastassem, como se fosse pedir muito um pouco de delicadeza do mundo, como se fosse demais uma borboleta ou beija-flor passar e eu me encantar como sempre me encanto, o que veio foi mais uma onda forte, batendo na cara e marejando meus olhos. Pelo visto, ando merecendo esses sustos que embrulham o estômago e deixam gosto de ressaca na boca.
Se bem que não acho que a vida tenha algum sentido de merecimento. E, sim, eu sei que talvez você me responda com aquela história de peso, água e mar. Outra hora, por favor, porque hoje minhas palavras não tem força e nem consolam.
E foi isso. Eu derramei minhas lágrimas lá mesmo e vim pra casa. Pelo menos, eu tive dois colos de poucas perguntas e muito carinho. E se essa é a lei da compensação, eu a aceito.
Não tem jeito. Eu fui. E como se todas as verdades que me surgiram essa semana não bastassem, como se fosse pedir muito um pouco de delicadeza do mundo, como se fosse demais uma borboleta ou beija-flor passar e eu me encantar como sempre me encanto, o que veio foi mais uma onda forte, batendo na cara e marejando meus olhos. Pelo visto, ando merecendo esses sustos que embrulham o estômago e deixam gosto de ressaca na boca.
Se bem que não acho que a vida tenha algum sentido de merecimento. E, sim, eu sei que talvez você me responda com aquela história de peso, água e mar. Outra hora, por favor, porque hoje minhas palavras não tem força e nem consolam.
E foi isso. Eu derramei minhas lágrimas lá mesmo e vim pra casa. Pelo menos, eu tive dois colos de poucas perguntas e muito carinho. E se essa é a lei da compensação, eu a aceito.
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