quarta-feira, 23 de maio de 2012
Estrangeira
Zumbi de mim mesma, eu sigo sem lágrimas. A única evidência do coração machucado são esses meus olhos de ressaca: falta álcool, falta sono, falta alegria. E assim eu experimento uma ressaca feita não de excessos, mas de ausências. E uma paz que em nada se assemelha ao tal estado de graça, mas é o seu exato oposto. Não posso dizer que o mar que me leva, porque eu procurei um canto tímido dentro d´água, pedaço de litoral sem correnteza. Eu preciso de descanso. Desse sossego de parar, respirar, observar e escolher o rumo. Acontece que eu só sei olhar para trás, para nem tão longe, para um lugar de que era fronteira, era limítrofe, era passagem. Eu descobri que mesmo que pareça aprazível, não se pode habitar a linha que divide mundos. Agora estou aqui, sem pertencer a nenhum lugar, porque enterrei meu coração em local interdito.
sexta-feira, 4 de maio de 2012
Para Jards.
Eu choro
Não tenho segredos que não me escapem
Fico em crise, histérica, inquieta
Eu corro, grito, soluço
Confesso meu medo
Declaro minha dor
Eu não sei sofrer
Com tantos conselhos me desoriento
Se você quer saber se está tudo bem
Digo que tudo é muito, tudo é demais
Mas quando eu vou embora
Escapo aos espelhos
Tudo em mim chora
Nem vejo o rio de janeiro
Embaço, me perco, me mudo
Pinto a boca de vermelho
Me calo, paro, quieta
Deito, choro, desconverso
E tudo o mais não respondo
de outra forma que um choro em verso
Não tenho segredos que não me escapem
Fico em crise, histérica, inquieta
Eu corro, grito, soluço
Confesso meu medo
Declaro minha dor
Eu não sei sofrer
Com tantos conselhos me desoriento
Se você quer saber se está tudo bem
Digo que tudo é muito, tudo é demais
Mas quando eu vou embora
Escapo aos espelhos
Tudo em mim chora
Nem vejo o rio de janeiro
Embaço, me perco, me mudo
Pinto a boca de vermelho
Me calo, paro, quieta
Deito, choro, desconverso
E tudo o mais não respondo
de outra forma que um choro em verso
quinta-feira, 3 de maio de 2012
terça-feira, 1 de maio de 2012
Eu resisto. Mantenho o silêncio e a inércia, gastando toda a minha força nessa tarefa que defini para mim. Eu sou uma rocha tentando resistir ao rio que também sou. Essas águas que arrebentam com toda a força e me doem.
Eu calo meu amor. E não é por medo, insegurança, orgulho ou dignidade. Eu calo porque estou cansada dessa luta diária que ocorre no meu peito, desse bater descompassado, dessa expectativa que nunca vai dar aonde eu gostaria.
Eu fui feliz. Não sou mais. Suas palavras deixaram de me alegrar por dias e os meus sorrisos tem um bocado de lamentação.
Por isso eu calo. Decidida a formar um espaço ainda maior entre nós dois. Com isso, eu não pretendo esquecê-lo, nem deixar de amá-lo. Eu só quero sossegar essa guerra, acalmar meu estômago, dominar a mim mesma. Porque, no final das contas, ao contrário dele, minha prioridade é ser feliz. E assim será.
Eu calo meu amor. E não é por medo, insegurança, orgulho ou dignidade. Eu calo porque estou cansada dessa luta diária que ocorre no meu peito, desse bater descompassado, dessa expectativa que nunca vai dar aonde eu gostaria.
Eu fui feliz. Não sou mais. Suas palavras deixaram de me alegrar por dias e os meus sorrisos tem um bocado de lamentação.
Por isso eu calo. Decidida a formar um espaço ainda maior entre nós dois. Com isso, eu não pretendo esquecê-lo, nem deixar de amá-lo. Eu só quero sossegar essa guerra, acalmar meu estômago, dominar a mim mesma. Porque, no final das contas, ao contrário dele, minha prioridade é ser feliz. E assim será.
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