terça-feira, 21 de agosto de 2012
Não queira ser lago para as minhas águas. É o movimento que te encanta, é a espera por pausas (ou pousos?) que te prende, é o ruído que ainda te mantem atento. Se tranquila eu fosse, seu olhar nunca teria se detido no meu. Ou, melhor dizendo, se seu olhar nunca tivesse se detido no meu, e ido além da minha aparência calma (e doce?), você nunca teria visto a correnteza que traga não a quem me fita, mas a mim mesma, o tempo todo. E você, como um cavaleiro andante em um tempo que já não é, como o homem que me protege de pingos de chuva (é só a minha substância, sob outra forma, eu lhe diria hoje), você quer me tirar da minha agitação na ilusão de que me salva? Por amor ou vaidade quer que eu encontre a serenidade ao seu lado? Amor ou vaidade, pouco importa. Você sabe que tão logo eu virasse água parada, represada, tudo o que carrego decantaria, formando um fundo escuro e lodoso. Água limpa, porém escura? Água em paz, mas sem luz? Não queira ser lago para nenhuma água, meu amigo. Só seja você, e me permita continuar buscando saber quem sou.
terça-feira, 10 de julho de 2012
Ele me disse "você alarga meus horizontes". Ele disse que eu fazia seu dia sorrir. E que nunca tinha encontrado tanto eco em um olhar como no meu.
Ainda assim, ele não pediu para eu ficar. Ele não exigiu meus olhos olhando os dele. Ele não me disse para esperar. Ele não prendeu meu corpo nos seus braços.
E eu não fui embora esperando que ele fizesse algo assim. Mas havia alguma esperança de surpresa, alguma fé na espontaneidade que ele demonstrou algumas vezes.
Eu fui porque era hora. E hoje entendo pouco, mas entendo.
Eu fui a mais clara miragem na vida de um homem que gosta de sentar na beira do mar e olhar horizontes. E horizonte é, por definição, algo distante e que nunca alcançamos.
Ele sorria pela mesma força inexplicável que faz os humanos sorrirem quando têm a dimensão do tamanho do mundo e se encantam pela imensidão.
Só que o mundo não é humano, só que ser horizonte não é o que espero da alegria, só que não sei construir nada com apenas três fios de teia de aranha.
Eu quero um amor de margens de terra molhada.
Ainda assim, ele não pediu para eu ficar. Ele não exigiu meus olhos olhando os dele. Ele não me disse para esperar. Ele não prendeu meu corpo nos seus braços.
E eu não fui embora esperando que ele fizesse algo assim. Mas havia alguma esperança de surpresa, alguma fé na espontaneidade que ele demonstrou algumas vezes.
Eu fui porque era hora. E hoje entendo pouco, mas entendo.
Eu fui a mais clara miragem na vida de um homem que gosta de sentar na beira do mar e olhar horizontes. E horizonte é, por definição, algo distante e que nunca alcançamos.
Ele sorria pela mesma força inexplicável que faz os humanos sorrirem quando têm a dimensão do tamanho do mundo e se encantam pela imensidão.
Só que o mundo não é humano, só que ser horizonte não é o que espero da alegria, só que não sei construir nada com apenas três fios de teia de aranha.
Eu quero um amor de margens de terra molhada.
quarta-feira, 23 de maio de 2012
Estrangeira
Zumbi de mim mesma, eu sigo sem lágrimas. A única evidência do coração machucado são esses meus olhos de ressaca: falta álcool, falta sono, falta alegria. E assim eu experimento uma ressaca feita não de excessos, mas de ausências. E uma paz que em nada se assemelha ao tal estado de graça, mas é o seu exato oposto. Não posso dizer que o mar que me leva, porque eu procurei um canto tímido dentro d´água, pedaço de litoral sem correnteza. Eu preciso de descanso. Desse sossego de parar, respirar, observar e escolher o rumo. Acontece que eu só sei olhar para trás, para nem tão longe, para um lugar de que era fronteira, era limítrofe, era passagem. Eu descobri que mesmo que pareça aprazível, não se pode habitar a linha que divide mundos. Agora estou aqui, sem pertencer a nenhum lugar, porque enterrei meu coração em local interdito.
sexta-feira, 4 de maio de 2012
Para Jards.
Eu choro
Não tenho segredos que não me escapem
Fico em crise, histérica, inquieta
Eu corro, grito, soluço
Confesso meu medo
Declaro minha dor
Eu não sei sofrer
Com tantos conselhos me desoriento
Se você quer saber se está tudo bem
Digo que tudo é muito, tudo é demais
Mas quando eu vou embora
Escapo aos espelhos
Tudo em mim chora
Nem vejo o rio de janeiro
Embaço, me perco, me mudo
Pinto a boca de vermelho
Me calo, paro, quieta
Deito, choro, desconverso
E tudo o mais não respondo
de outra forma que um choro em verso
Não tenho segredos que não me escapem
Fico em crise, histérica, inquieta
Eu corro, grito, soluço
Confesso meu medo
Declaro minha dor
Eu não sei sofrer
Com tantos conselhos me desoriento
Se você quer saber se está tudo bem
Digo que tudo é muito, tudo é demais
Mas quando eu vou embora
Escapo aos espelhos
Tudo em mim chora
Nem vejo o rio de janeiro
Embaço, me perco, me mudo
Pinto a boca de vermelho
Me calo, paro, quieta
Deito, choro, desconverso
E tudo o mais não respondo
de outra forma que um choro em verso
quinta-feira, 3 de maio de 2012
terça-feira, 1 de maio de 2012
Eu resisto. Mantenho o silêncio e a inércia, gastando toda a minha força nessa tarefa que defini para mim. Eu sou uma rocha tentando resistir ao rio que também sou. Essas águas que arrebentam com toda a força e me doem.
Eu calo meu amor. E não é por medo, insegurança, orgulho ou dignidade. Eu calo porque estou cansada dessa luta diária que ocorre no meu peito, desse bater descompassado, dessa expectativa que nunca vai dar aonde eu gostaria.
Eu fui feliz. Não sou mais. Suas palavras deixaram de me alegrar por dias e os meus sorrisos tem um bocado de lamentação.
Por isso eu calo. Decidida a formar um espaço ainda maior entre nós dois. Com isso, eu não pretendo esquecê-lo, nem deixar de amá-lo. Eu só quero sossegar essa guerra, acalmar meu estômago, dominar a mim mesma. Porque, no final das contas, ao contrário dele, minha prioridade é ser feliz. E assim será.
Eu calo meu amor. E não é por medo, insegurança, orgulho ou dignidade. Eu calo porque estou cansada dessa luta diária que ocorre no meu peito, desse bater descompassado, dessa expectativa que nunca vai dar aonde eu gostaria.
Eu fui feliz. Não sou mais. Suas palavras deixaram de me alegrar por dias e os meus sorrisos tem um bocado de lamentação.
Por isso eu calo. Decidida a formar um espaço ainda maior entre nós dois. Com isso, eu não pretendo esquecê-lo, nem deixar de amá-lo. Eu só quero sossegar essa guerra, acalmar meu estômago, dominar a mim mesma. Porque, no final das contas, ao contrário dele, minha prioridade é ser feliz. E assim será.
domingo, 15 de abril de 2012
Eu não choro. Aprendi a esperar o tempo renovar o que sinto. Ele nunca me deixou na mão. Eu espero, porque esperar é ofício e missão, embora minha espera prescinda de esperanças. Paradoxo, não? Com os dias, a saudade dói diferente, como se já fizesse parte das minhas atividades: eu acordo, sinto saudades, escovo os dentes, sinto saudades, leio o jornal, sinto saudades... E como disse o poeta, assimilo essa ausência, parte minha, como se presença fosse.
A verdade é que nem a sua presença ao meu lado, nem o seu toque ou o seu cheiro, nem mesmo seu sorriso amenizam essa falta. Eu sinto falta do que era promessa calada e deixou de ser; eu sinto falta do que foi nunca foi, das palavras não ditas, e das desditas.
Nunca pensei dizer isso, mas há dúvidas mais bonitas que algumas certezas. E se antes eu me enganava, ficando mais um pouco à deriva nessas águas mornas; hoje eu sei que é hora de traçar novos rumos, mesmo sem mapas, mesmo sem vontade, mesmo sem bússolas. Só falta coragem para levantar essa âncora que caiu fora de hora e lugar. Ou, talvez, muito talvez, que ele peça para vir comigo.
A verdade é que nem a sua presença ao meu lado, nem o seu toque ou o seu cheiro, nem mesmo seu sorriso amenizam essa falta. Eu sinto falta do que era promessa calada e deixou de ser; eu sinto falta do que foi nunca foi, das palavras não ditas, e das desditas.
Nunca pensei dizer isso, mas há dúvidas mais bonitas que algumas certezas. E se antes eu me enganava, ficando mais um pouco à deriva nessas águas mornas; hoje eu sei que é hora de traçar novos rumos, mesmo sem mapas, mesmo sem vontade, mesmo sem bússolas. Só falta coragem para levantar essa âncora que caiu fora de hora e lugar. Ou, talvez, muito talvez, que ele peça para vir comigo.
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
Sobre pousos
Ele nem precisara dizer algo como "faça de meus braços sua pousada". Marianne Moore já havia me alertado que "pousadas não são residências". E ele era, é, sincero demais para me permitir a confusão. Não, ele não me deixa esquecer e nem alimenta minhas ilusões mais escondidas. Então eu finjo por nós dois. E faço de conta que sou um pássaro ou um barco, que não se demora em portos ou cais. Eu minto que gosto de tempestades, ventos e ondas, que não sei ser água calma. Eu digo para mim mesma que eu sei viver os perigos do escuro, que minha alegria está na noite e na rua, e que as novas dores vão passar mais rápido. Eu falo que aceito pouco porque não quero o peso do muito, e que rótulos são para os outros, não para mim. Só que quem me conhece sabe. E ele já teve tempo para ver o que eu tento esconder na tentativa de ficar mais um pouco, de não levantar vôo, de não tirar essa âncora pesada que eu joguei ao seu lado sem ele se dar conta. Eu sou um pombo subindo uma escada sem usar as asas, como se fosse gente. E ele ri porque esquece o gosto de ser humano. Eu sei que não conseguirei mais andar distraída, mas algo dentro de mim ainda insiste: será teimosia ou amor?
domingo, 29 de janeiro de 2012
Ela sabia que só estaria ali enquanto fosse leve. E embora se alegrasse com sua própria leveza ao se olhar no espelho do teto, ouvia sempre um "tic-tac" que a avisava que um dia ela se mostraria, e deixaria de ser outra. Não que ela fingisse, ou interpretasse. Sua vontade de ser leve era genuína, mas querer nunca resolveu a vida de ninguém, não é mesmo? Ela buscava forças para se manter ali, planando, mas seus sentimentos crescentemente a abatiam. E, de repente, quanto mais resoluta se via, mais frágil e insegura se sentia. Afinal, todo amor é uma forma de carência.
E foi assim que ela se viu frente a frente com a menina que nunca deixou de ser. Amor em conta-gotas nunca foi pra ela. Metades também não. Na ânsia por ter mais, ficou sem nada, e entre uma cerveja e outra ela repete tentando se convencer: "viver um amor pela metade é o mesmo que não viver". E eu torço para que na manhã seguinte ela não se lembre que nunca foi tão feliz, mesmo com tão pouco.
E foi assim que ela se viu frente a frente com a menina que nunca deixou de ser. Amor em conta-gotas nunca foi pra ela. Metades também não. Na ânsia por ter mais, ficou sem nada, e entre uma cerveja e outra ela repete tentando se convencer: "viver um amor pela metade é o mesmo que não viver". E eu torço para que na manhã seguinte ela não se lembre que nunca foi tão feliz, mesmo com tão pouco.
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