domingo, 3 de março de 2013

Um erro basta. Um desatino, um desacerto e tudo se desfaz. Coisas tão bobas e banais ficam sérias quando a corda já aguentou de um tudo. Eu não me desculpo, amor. Não cabe culpa na nossa relação. Eu sequer me arrependo. De uma maneira estranha, te perder foi um presente que me dei. Agora eu tenho que viver sem você, já não há escolha. E fica esse gosto seco na boca, esse embrulho no peito e essa solidão. Viver sem o seu amor eu sempre soube. Contudo, como reaprender a viver sem te amar? Como me acostumar a não dedicar a você meus primeiros e últimos pensamentos do dia? Como expulsá-lo dos meus sonhos, da minha pele?
Eu vejo a vida seguindo, e pensar em você só me dói frente a idéia de te ver novamente. E esse momento está tão próximo que me pego respirando fundo ao longo do dia para amenizar essa sensação que me sufoca. Eu não quero seus olhos nos meus. Eu não quero sua condenação nem seu perdão, porque não lhe dou o direito a nenhum dos dois. Ternura ou indiferença, não sei o que seria pior. Eu me pergunto o que você deve estar sentindo, mas logo me recrimino. Não quero saber. Não quero saber porque, se quando você dizia se importar, nada mudou, de que me vale agora? Bastou um devaneio, amor, para que você fizesse o que eu nunca consegui. Era o melhor para todos nós, não era?

sábado, 19 de janeiro de 2013

Coletivo de pássaro é árvore
a não ser quando voam
porque árvore não voa
(é o que dizem)

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Não queira ser lago para as minhas águas. É o movimento que te encanta, é a espera por pausas (ou pousos?) que te prende, é o ruído que ainda te mantem atento. Se tranquila eu fosse, seu olhar nunca teria se detido no meu. Ou, melhor dizendo, se seu olhar nunca tivesse se detido no meu, e ido além da minha aparência calma (e doce?), você nunca teria visto a correnteza que traga não a quem me fita, mas a mim mesma, o tempo todo. E você, como um cavaleiro andante em um tempo que já não é, como o homem que me protege de pingos de chuva (é só a minha substância, sob outra forma, eu lhe diria hoje), você quer me tirar da minha agitação na ilusão de que me salva? Por amor ou vaidade quer que eu encontre a serenidade ao seu lado? Amor ou vaidade, pouco importa. Você sabe que tão logo eu virasse água parada, represada, tudo o que carrego decantaria, formando um fundo escuro e lodoso. Água limpa, porém escura? Água em paz, mas sem luz? Não queira ser lago para nenhuma água, meu amigo. Só seja você, e me permita continuar buscando saber quem sou.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Ele me disse "você alarga meus horizontes". Ele disse que eu fazia seu dia sorrir. E que nunca tinha encontrado tanto eco em um olhar como no meu.

Ainda assim, ele não pediu para eu ficar. Ele não exigiu meus olhos olhando os dele. Ele não me disse para esperar. Ele não prendeu meu corpo nos seus braços.

E eu não fui embora esperando que ele fizesse algo assim. Mas havia alguma esperança de surpresa, alguma fé na espontaneidade que ele demonstrou algumas vezes.

Eu fui porque era hora. E hoje entendo pouco, mas entendo.

Eu fui a mais clara miragem na vida de um homem que gosta de sentar na beira do mar e olhar horizontes. E horizonte é, por definição, algo distante e que nunca alcançamos.

Ele sorria pela mesma força inexplicável que faz os humanos sorrirem quando têm a dimensão do tamanho do mundo e se encantam pela imensidão.

Só que o mundo não é humano, só que ser horizonte não é o que espero da alegria, só que não sei construir nada com apenas três fios de teia de aranha.

Eu quero um amor de margens de terra molhada.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Estrangeira

Zumbi de mim mesma, eu sigo sem lágrimas. A única evidência do coração machucado são esses meus olhos de ressaca: falta álcool, falta sono, falta alegria. E assim eu experimento uma ressaca feita não de excessos, mas de ausências. E uma paz que em nada se assemelha ao tal estado de graça, mas é o seu exato oposto. Não posso dizer que o mar que me leva, porque eu procurei um canto tímido dentro d´água, pedaço de litoral sem correnteza. Eu preciso de descanso. Desse sossego de parar, respirar, observar e escolher o rumo. Acontece que eu só sei olhar para trás, para nem tão longe, para um lugar de que era fronteira, era limítrofe, era passagem. Eu descobri que mesmo que pareça aprazível, não se pode habitar a linha que divide mundos. Agora estou aqui, sem pertencer a nenhum lugar, porque enterrei meu coração em local interdito.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Para Jards.

Eu choro
Não tenho segredos que não me escapem
Fico em crise, histérica,  inquieta
Eu corro, grito, soluço
Confesso meu medo
Declaro minha dor
Eu não sei sofrer
Com tantos conselhos me desoriento
Se você quer saber se está tudo bem
Digo que tudo é muito, tudo é demais
Mas quando eu vou embora
Escapo aos espelhos
Tudo em mim chora
Nem vejo o rio de janeiro
Embaço, me perco, me mudo
Pinto a boca de vermelho
Me calo, paro, quieta
Deito, choro, desconverso
E tudo o mais não respondo
de outra forma que um choro em verso


quinta-feira, 3 de maio de 2012

Hoje nem colo de pai e mãe, nem filme da Audrey, nem sorvete no pote ou brigadeiro na panela aliviam essa dor. E nem o amanhã consola...