sexta-feira, 30 de setembro de 2011
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Hoje acordei com uma vontade enorme de me poupar. De guardar meus sentimentos em uma caixa de sapatos e deixar estar. Vontade de chegar pertinho do abismo e não pular; de molhar os pés no mar e não mergulhar; de sentir a água gelada do rio e ainda sim resistir a um banho.
Eu não sei muito bem porquê, mas acordei com uma indiferença tardia, que me alerta que ainda há tempo de eu largar essa minha mania de gostar de farpas na sola do pé só porque sentir algo é melhor que não sentir. O amanhecer me gritou que eu preciso esperar, e deixar estar, deixar ser como há de ser, que não devo me precipitar só porque desatinaram antes de mim.
Amanhã, meu amigo, talvez eu acorde com vontade de me dar, e cante Vinicius, e diga que "ninguém tem nada de bom sem sofrer". Só que hoje, não. Vou, como sempre, seguir meu coração, que embora meio fraco e remendado, eu ainda ouço, e que me alerta que ainda é cedo, ou tarde demais, para essa história acontecer.
Eu não sei muito bem porquê, mas acordei com uma indiferença tardia, que me alerta que ainda há tempo de eu largar essa minha mania de gostar de farpas na sola do pé só porque sentir algo é melhor que não sentir. O amanhecer me gritou que eu preciso esperar, e deixar estar, deixar ser como há de ser, que não devo me precipitar só porque desatinaram antes de mim.
Amanhã, meu amigo, talvez eu acorde com vontade de me dar, e cante Vinicius, e diga que "ninguém tem nada de bom sem sofrer". Só que hoje, não. Vou, como sempre, seguir meu coração, que embora meio fraco e remendado, eu ainda ouço, e que me alerta que ainda é cedo, ou tarde demais, para essa história acontecer.
sábado, 10 de setembro de 2011
Sim, eu confesso, estou imersa em silêncio. Dentro de mim, apenas o coração parece querer dizer algo, mas sua batida é a de um tronco oco. Sim, é isso, meu coração é o oco ecoando o silêncio. E em pensar que este silêncio teve origem em palavras. Palavras demais, se me perguntas. Palavras que vieram feito onda grande que dá caixote em quem não está preparado para as artimanhas do (a?)mar. Nelas eu submergi, e ainda não regressei, e lembro agora que já ouvi que debaixo d´água, ao nos afogarmos, perdemos a noção, e nadamos para baixo, não para cima. Há tempos, meu amigo, que ando enganada sobre meus próprios movimentos, agora eu vejo.
Eu sei que você entenderá tudo o que digo, acostumado que está aos meus desabafos tortos. E eu comecei esse texto na vontade de escrever uma frase, mas me falta a coragem agora. Porque escrevê-la seria dar nome ao meu silêncio, nome impróprio e abstrato. Um silêncio que já começou a pesar, e a doer...
Eu sei que você entenderá tudo o que digo, acostumado que está aos meus desabafos tortos. E eu comecei esse texto na vontade de escrever uma frase, mas me falta a coragem agora. Porque escrevê-la seria dar nome ao meu silêncio, nome impróprio e abstrato. Um silêncio que já começou a pesar, e a doer...
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Apontamento (Álvaro de Campos)
A minha alma partiu-se como um vaso vazio.
Caiu pela escada excessivamente abaixo.
Caiu das mãos da criada descuidada.
Caiu, fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso.
Asneira? Impossível? Sei lá!
Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.
Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir.
Fiz barulho na queda como um vaso que se partia.
Os deuses que há debruçam-se do parapeito da escada.
E fitam os cacos que a criada deles fez de mim.
Não se zanguem com ela.
São tolerantes com ela.
O que era eu um vaso vazio?
Olham os cacos absurdamente conscientes,
Mas conscientes de si mesmos, não conscientes deles.
Olham e sorriem.
Sorriem tolerantes à criada involuntária.
Alastra a grande escadaria atapetada de estrelas.
Um caco brilha, virado do exterior lustroso, entre os astros.
A minha obra? A minha alma principal? A minha vida?
Um caco.
E os deuses olham-o especialmente, pois não sabem por que ficou ali.
Caiu pela escada excessivamente abaixo.
Caiu das mãos da criada descuidada.
Caiu, fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso.
Asneira? Impossível? Sei lá!
Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.
Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir.
Fiz barulho na queda como um vaso que se partia.
Os deuses que há debruçam-se do parapeito da escada.
E fitam os cacos que a criada deles fez de mim.
Não se zanguem com ela.
São tolerantes com ela.
O que era eu um vaso vazio?
Olham os cacos absurdamente conscientes,
Mas conscientes de si mesmos, não conscientes deles.
Olham e sorriem.
Sorriem tolerantes à criada involuntária.
Alastra a grande escadaria atapetada de estrelas.
Um caco brilha, virado do exterior lustroso, entre os astros.
A minha obra? A minha alma principal? A minha vida?
Um caco.
E os deuses olham-o especialmente, pois não sabem por que ficou ali.
sábado, 3 de setembro de 2011
Eu descobri que funciono assim: me poupo, me prendo, me retraio, e até me nego. Até que uma hora, cansada das amarras que eu me imponho por comodismo, vergonha, medo ou bom senso, eu me doo. E quando eu me doo, é como uma represa que arrebenta, como a água que corre com força. E uma vez ali, correndo, eu não quero voltar a me tolher. Só que as pessoas correm de águas desordenadas. As pessoas insistem em apreciar as Cataratas pela TV e a mergulhar em banheiras de água morna. Todos querem grandes aventuras, mas ninguém quer pagar o preço da escolha.
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