quarta-feira, 1 de junho de 2011

Por um recomeço

A cada aniversário ou passagem de ano, minha mãe me diz que a minha vida vai deslanchar, que vai ser meu ano, que vou ter muitas realizações. Hoje ri com ela ao adverti-la disso, depois de ouvir mais uma vez a mesma frase.
É que a proximidade de mais um aniversário sempre me faz pensar mais nas ausências que nos presentes (com trocadilho, por favor). Em tudo o que sonhei e não fiz, em tudo o que projetei e não sou, em todos os que deixei pelo caminho, em tudo o que não vivi, enfim. Quando se aproxima o final do dia do meu aniversário, contabilizo as ligações que não recebi, as cartas que não chegaram, as frases nunca ditas. Eu estou sempre à espera do que não virá nunca. Porque o tempo passa na janela e só eu, Carolina, teimo em não ver (ou aceitar).
E a cada ano, me prometo um recomeço. Eu digo a mim mesma que devo felicitar-me pelos que estão aqui comigo. Eu teimo comigo que, no final das contas, valeu a aprendizagem. Eu tento me convencer de que devo plantar capim-limão e colher cheiros novos. Só que a verdade é que não sei me despedir.
Por mim, a vida seria só de reencontros, de redescobertas, de reais recomeços. Porque a inocência que há em mim vê delicadeza em se surpreender com a mesma coisa um milhão de vezes. Chega a provocar uma certa vaidade quando me encanto duas vezes com a mesma coisa sem saber que são a mesma coisa porque em momentos diferentes. Sinto-me segura de mim.
E estou cansada demais para... sei lá...

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