quarta-feira, 23 de maio de 2012
Estrangeira
Zumbi de mim mesma, eu sigo sem lágrimas. A única evidência do coração machucado são esses meus olhos de ressaca: falta álcool, falta sono, falta alegria. E assim eu experimento uma ressaca feita não de excessos, mas de ausências. E uma paz que em nada se assemelha ao tal estado de graça, mas é o seu exato oposto. Não posso dizer que o mar que me leva, porque eu procurei um canto tímido dentro d´água, pedaço de litoral sem correnteza. Eu preciso de descanso. Desse sossego de parar, respirar, observar e escolher o rumo. Acontece que eu só sei olhar para trás, para nem tão longe, para um lugar de que era fronteira, era limítrofe, era passagem. Eu descobri que mesmo que pareça aprazível, não se pode habitar a linha que divide mundos. Agora estou aqui, sem pertencer a nenhum lugar, porque enterrei meu coração em local interdito.
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