Hoje acordei com uma vontade enorme de me poupar. De guardar meus sentimentos em uma caixa de sapatos e deixar estar. Vontade de chegar pertinho do abismo e não pular; de molhar os pés no mar e não mergulhar; de sentir a água gelada do rio e ainda sim resistir a um banho.
Eu não sei muito bem porquê, mas acordei com uma indiferença tardia, que me alerta que ainda há tempo de eu largar essa minha mania de gostar de farpas na sola do pé só porque sentir algo é melhor que não sentir. O amanhecer me gritou que eu preciso esperar, e deixar estar, deixar ser como há de ser, que não devo me precipitar só porque desatinaram antes de mim.
Amanhã, meu amigo, talvez eu acorde com vontade de me dar, e cante Vinicius, e diga que "ninguém tem nada de bom sem sofrer". Só que hoje, não. Vou, como sempre, seguir meu coração, que embora meio fraco e remendado, eu ainda ouço, e que me alerta que ainda é cedo, ou tarde demais, para essa história acontecer.
Nenhum comentário:
Postar um comentário