sábado, 17 de dezembro de 2011

Não, eu não sei o que fazer disso. Se calo ou grito. Se nutro ou mato. Ele me disse para não criar expectativas, e eu respondi que não sei viver sem elas. Falávamos de outra coisa, não de nós. Ou não. É nas entrelinhas que nossas palavras se cruzam. Como quando ele disse que as respostas não são o mais importante, mas as perguntas. E eu respondi que a partir das respostas nascem novas perguntas. Ou não, o que perde a graça. E ele se arrependeu tanto no momento em que perguntou "o que você está pensando?', que eu quase ri ao constatar o medo da resposta. Não, eu ri. E para manter seus dedos entrelaçados nos meus, eu não disse. Ou disse, nas entrelinhas, citando Leminski. E é fitando seus olhos em silêncio que eu digo, e ele responde com um beijo de olhos fechados. Esse diálogo se repete continuadamente e, ao final, eu já nem sei do que falávamos. Eu queria ter dito: quando estou com você eu não penso e eu gosto. E não é um não pensar de perder os sentidos ou a razão. Eu simplesmente não convoco as palavras e me deixo ser e sentir sem o auxílio delas. Ele entenderia, eu acho. Ou não. Tanto faz? Anoitece e nos despedimos. Até o próximo ano, ou antes, se o antes vier antecipando meu sorriso mais feliz.

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