Eu tinha acabado de desligar o telefone. Antes tivessemos continuado a conversar, pela noite adentro. Eu ali, um pouco distante das pessoas para poder ouvi-lo. Ou, talvez, eu não devesse ter insistido nessa idéia tola de sair sozinha com meus pensamentos.
Não tem jeito. Eu fui. E como se todas as verdades que me surgiram essa semana não bastassem, como se fosse pedir muito um pouco de delicadeza do mundo, como se fosse demais uma borboleta ou beija-flor passar e eu me encantar como sempre me encanto, o que veio foi mais uma onda forte, batendo na cara e marejando meus olhos. Pelo visto, ando merecendo esses sustos que embrulham o estômago e deixam gosto de ressaca na boca.
Se bem que não acho que a vida tenha algum sentido de merecimento. E, sim, eu sei que talvez você me responda com aquela história de peso, água e mar. Outra hora, por favor, porque hoje minhas palavras não tem força e nem consolam.
E foi isso. Eu derramei minhas lágrimas lá mesmo e vim pra casa. Pelo menos, eu tive dois colos de poucas perguntas e muito carinho. E se essa é a lei da compensação, eu a aceito.
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