Minha vida é tomada por ensaios de recomeços e reencontros. Eu nunca desisto das pessoas, até elas terem desistido de nós. Meu amor é teimoso, persistente e eterno. Minhas amizades seguem as mesmas regras, embora com uma maior condescendência. Em suma, eu sempre acho que há algo ali a ser vivido, a ser compartilhado. Minha ingenuidade infantil não me permite ver finais ou mortes.
Acontece que sempre vem as tais das gotas. Aquelas que transbordam os copos, os corações e as palavras. É nessas horas que eu faço um corte imaginário e me coloco do outro lado da linha, cheia de orgulho. A gota às vezes é uma palavra, um gesto, um olhar. A gota muitas vezes é o silêncio e a solidificação do que ele traz. A gota às vezes se mascara de carinho, em outras cai asperamente.
E nem todo o meu apego as relações impede que uma gota simplesmente rompa a corda. E que, com isso, eu me desgarre de toda uma possibilidade de futuro acolhedora. Nem sempre eu choro nessas horas, mas sempre dói. E é essa dor seca e repentina que, por alguma razão, eu sinto agora.
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