Querido M.,
Você disse que gostaria de ler o que escrevo. Eu lhe respondi que não tenho escrito mais. "Preciso de um novo ex-amor para me inspirar", eu expliquei. Então, você pediu para que eu lhe escrevesse, como antes. E aqui estou, por não ter nunca aprendido a negar-me.
Eu lhe escrevo, mas não sou a de antes e nem você é aquele. O nanquim azul que você mesmo pediu e que lhe entreguei naquela curta viagem de ônibus cortou os laços que faziam com que respondesse aos meus devaneios literários. E eu só escrevia para ler suas respostas que eu, na minha falta de experiência, não compreendia inteiramente.
Como posso me alegrar tanto com o gosto do que não compreendo se a minha vida é uma luta por entender mais, sempre? Todos insistem para que eu pare com os meus porquês infantis, mas você os atura calmamente, porque sabe que é um traço disso que nós dois chamamos de "minha essência".
A minha curiosidade, não pretendo que me leve a lugar algum. É mais uma vontade de acalmar esses fantasmas que se movem sempre à noite, fingindo serem vento e me impedindo de dormir.
Eu paro por aqui, meu querido, mas não é só (nunca é). Voltarei a lhe dirigir algumas linhas, mesmo sem novos desamores. Agora, tenho tarefas a cumprir, já que o mundo nunca estanca para que recolhamos os cacos. E só hoje eu agradeço a ele por isso. O Tempo ao correr mostrou-me que não preciso mais de alguns pedaços, e que cá estou inteira novamente. E feliz, se cabe dizer. Pelo menos por hoje, pelo menos por enquanto. E o por enquanto me importa bem mais agora que os "para sempre" que vi ruir nas minhas andanças.
Cuide-se, porque mesmo longe você ainda é em quem penso quando esmoreço e preciso de cuidados. Você, o ponto de ônibus e a chuva.
Um abraço e um beijo,
da menina que continua a brincar de balanço
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