segunda-feira, 4 de abril de 2011

Rio de Janeiro, 4 de abril de 2011.

Querido M.,
Por esses dias fui surpreendida pela possibilidade de um novo encantamento. Rendeu-me dois dias de sorrisos bobos e suspiros disfarçados. E mais um dia de algum lamento, incômodo e insônia. De qualquer forma, parece que a minha alegria vem justamente de da possibilidade de ainda iludir-me e sonhar. Faz sentido?
Não é exato dizer que o encantamento era novo, mas resurgiu na hora que devia, para mostrar que meu estômago ainda não virou pedra e que eu ainda balanço. Passou, é verdade, porque não deveria durar, já que era só uma amostra de que qualquer coisa ainda anseia em mim.
Nem sei porque conto isso. Já é tarde e estou sozinha, então fiquei pensando essas coisas. Como de vez em quando é importante cair nessas armadilhas só para aquietar o espírito (ou despertá-lo, vai saber).
Hoje também notei que isso a que chamo de cartas está destinado a ser um monólogo solitário. Era essa a regra desde o início, não era? Eu me exponho e você se esconde em mistérios, codinomes e frases indecifráveis para mim. Agora resta o silêncio do seu olhar, que a tudo lê, mas que não se manifesta (e, ainda assim, me conforta).

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