Querido amigo,
Escrevo porque é domingo e espero o remédio para dormir fazer efeito. Tive um feriado alegre e etílico, mas domingos são sempre domingos, não é mesmo? Eu pensei que meu pai tivesse confundido ressaca com tristeza quando questionou meu silêncio, fora da baderna habitual a que se acostumou na minha presença. Acontece que não há ressaca, deve ser mesmo tristeza.
Meu pensamento foge para onde não desejo ir. Será que um dia eu vou entender realmente o que se passou? Eu relembro os "eu te amo" que ouvi ao longo da vida, e os que disse também. Eu, fiel escudeira preocupada com o peso dessa frase e com as responsabilidades que ela acarreta. Eu nunca consegui ser leviana com essas palavras. E desconfio tanto de quem as fala sem engasgar, sem ter brilho nos olhos, sem suor nas mãos, sem tremedeiras! Eu desconfio tanto quando essas palavras são ditas no escuro, como recompensa pelo sexo! Eu desconfio tanto quando dito a esmo, sem cuidado! Porém, eu sempre acredito, querido. Porque para mim é crueldade demais usar esse artifício e eu sempre espero o melhor de cada um.
Mas e se as pessoas simplesmente forem cruéis? Se algumas pessoas forem semeadoras de ilusões e falsidades? Ou será que somente não sabem amar, mesmo sentindo? Amar é verbo, amigo. E só ocorre na ação.
Amar é correr, é brigar, é lutar, é enfrentar. Amar é perdoar, é se arrepender, é recomeçar. Amar é fazer, não só falar. Amar é jogar tudo para o alto, se for preciso. Amar é querer estar junto.
Amar é tudo aquilo que não aconteceu logo depois de eu ouvir "eu te amo". Porque antes de dizer devemos ter certeza, e tendo a certeza faz-se um futuro. Se não queremos um futuro para que dizer? Eu devia ter prestado atenção nas mãos, nos olhos, no ritmo do coração... as palavras são apenas palavras... mas amar nunca é apenas...
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